Esta postagem apareceu originalmente no blog OECD Education and Skills Today e no Medium da Code.org

Nos últimos anos, houve um movimento crescente para ensinar ciência da computação nas escolas. Por um lado, isso faz sentido. Robôs, inteligência artificial e automação estão prontos para mudar praticamente todos os aspectos do trabalho e da vida; certamente, a educação pública deve reagir e ensinar o currículo do futuro. Por outro lado, os sistemas escolares já estão sobrecarregados e ainda lutam para ensinar fundamentos importantes, como linguagem ou matemática. Faz sentido ensinar uma habilidade profissional como codificação?

Pode ser uma surpresa que ambos concordemos em uma resposta: em vez de focar na sintaxe da mais recente linguagem de codificação ou das ferramentas técnicas da época, as escolas devem ensinar os conceitos essenciais do pensamento computacional e da tecnologia digital. Aqueles que não entendem a natureza dos algoritmos correm maior risco de serem manipulados por eles e de serem menos capacitados pela tecnologia, em vez de serem capacitados por ela.

Como outros campos da aprendizagem, a ciência da computação e o pensamento computacional, quando bem ensinados, podem preparar os alunos para aplicar a resolução de problemas, a criatividade e a colaboração em todos os tipos de domínios — sejam eles atividades técnicas, como codificação, segurança cibernética, robótica e IA, ou atividades não técnicas, como direito, lógica ou filosofia.

É por isso que temos orgulho em celebrar a notícia de que a avaliação do PISA para 2021 incorporará aspectos do pensamento computacional pela primeira vez, conforme detalhado abaixo.

Pensamento Computacional em Matemática do PISA 2021

Em 2021, a avaliação matemática do PISA incorporará perguntas que testam o pensamento computacional — a abordagem lógica ou de solução de problemas que serve como espinha dorsal conceitual das tecnologias digitais.

Abaixo está um exemplo do tipo de pergunta de pensamento computacional que pode ser incluída na avaliação do PISA para 2021.

Embora a ciência da computação em si seja um domínio amplo, incluindo aspectos como programação de computadores (codificação), design de algoritmos, ciência de dados, segurança cibernética, redes, aprendizado de máquina e robótica, todos esses subcampos dependem de uma compreensão conceitual profunda do pensamento computacional. Foi por isso que foi escolhido para a avaliação matemática do PISA 2021.

Para mais detalhes sobre a inclusão do pensamento computacional na avaliação matemática do PISA 2021, clique aqui.

Pesquisa sobre estudantes de ciência da computação no PISA 2021

Além de testar o pensamento computacional, a avaliação do PISA para 2021 dará aos alunos a opção de auto-relatarem seus próprios conhecimentos de conceitos e habilidades mais amplos em ciência da computação. Embora não seja obrigatório, o “Questionário ICT” opcional incluído no PISA 2021 questionará os alunos sobre suas habilidades para criar um programa de computador, identificar a fonte de um erro em um software depois de considerar uma lista de causas potenciais ou resolver um problema e representar uma solução como uma série de etapas lógicas, como um algoritmo. Será perguntado às escolas se a ciência da computação é uma prioridade e como a participação ou demanda dos alunos mudou. Esta pesquisa ajudará os formuladores de políticas globais a avaliar se a próxima geração de estudantes está adequadamente preparada para locais de trabalho cada vez mais digitais.

Embora muitos estudos tenham se concentrado na preparação da população para o trabalho digital básico (como a criação de um documento ou a navegação na Internet), o PISA 2021 será o primeiro a estudar explicitamente como os países incluem a ciência da computação em seus programas educacionais.

Numa época de mudanças tecnológicas históricas, os alunos de hoje terão cada vez mais necessidade de saber não apenas como usar aplicativos de tecnologia, mas também como criar, entender e gerenciar tecnologia. Portanto, é importante incluir a ciência da computação ao avaliar suas habilidades digitais.

Implicações para educadores e formuladores de políticas

Muitos países tomaram medidas nos últimos anos para incorporar alguma forma de ciência da computação ou pensamento computacional em seus currículos escolares, incluindo Austrália, Canadá, Chile, África do Sul, Coréia, Turquia e Reino Unido. Outros estão começando a fazê-lo e não precisam começar do zero.

Abaixo estão links úteis para o trabalho de educadores no Brasil e em outros países que ensinam ciências da computação:

Programaê! é uma iniciativa no Brasil que facilita a introdução da linguagem de programação e o pensamento computacional nas práticas pedagógicas.
O K-12 CS Framework, criado por educadores, governo local e as maiores empresas de tecnologia, usado como modelo nos EUA e em muitos outros países.
A iniciativa Informática para Todos, que promove a inclusão da ciência da computação nas escolas da Europa.
O workshop de Bruxelas sobre o status da educação em informática na Europa e nos Estados Unidos.
O relatório State of Computer Science Education da Code.org, a CS Teachers Association e a Expanding Computing Education Pathways Alliance.

Você tem dicas de oficinas na sua cidade? Cadastre-se e mande pro Programaê!