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Conheça Davi Moreira, um jovem que trocou uma carreira no setor financeiro pela programação

03/12/2020

Em 2018, Davi sentiu que precisava encontrar novos caminhos e viu na programação uma forma de impactar positivamente a sua vida e de quem está ao seu redor

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Conheça Davi Moreira, um jovem que trocou uma carreira no setor financeiro pela programação

A 42 é uma rede que oferece ensino gratuito de programação, e cujo sistema de aprendizagem se baseia em “peer-to-peer learning”, ou aprendizado entre pares, em que todos ensinam e aprendem juntos. Para entrar na 42, não é necessária nenhuma formação prévia ou experiência anterior em programação. As únicas exigências são ter mais de 18 anos, possuir uma atitude questionadora, com uma enorme vontade de aprender, e muita disposição para pôr a mão na massa. “Essa metodologia te deixa muito mais autônomo em relação ao aprender, dado que não existe uma fonte de conhecimento que solucione todos os seus problemas, temos que correr atrás da informação”, explica Davi.

Davi Moreira de Jesus tem 28 anos e é da cidade de São Paulo, mais exatamente da região do Capão Redondo, na zona sul.

Em 2018, depois de anos trabalhando no setor financeiro e com uma carreira estabelecida, Davi entendeu que era hora de buscar algo que realmente fizesse sentido em sua vida. E esse caminho ele encontrou na programação — o que até então não havia passado pela sua cabeça.

“Para te falar a verdade, a programação sempre foi algo muito distante de mim. O interesse começou a surgir, de fato, à medida que eu passei a entender mais as bases da programação. Aí eu comecei a notar quanta coisa legal podemos construir a partir dela”, diz.

Hoje, ele é um dos cadetes da 42 São Paulo, um projeto que começou na França e no início de 2019 desembarcou no Brasil, em São Paulo, cujo foco é ensinar programação por meio de um modelo inovador de educação.

 

Os primeiros passos 

“A minha vida inteira eu sempre atuei no setor financeiro, desde os meus 17 anos trabalhei na área, mas em meados de 2018 comecei a sentir uma angústia muito grande, meu coração me falava que eu tinha que tentar algo novo, mas eu não sabia o que exatamente. Fiz um acordo para sair do trabalho, e algumas pessoas me chamaram de louco por sair de uma empresa onde tinha uma certa estabilidade, mas ou eu fazia isso ou meu coração não me daria paz.

O ano de 2018 acabou e eu ainda não sabia o que eu queria fazer de fato, eu pesquisava e nada fazia meus olhos brilharem. Foi então que algumas pessoas me perguntaram por que eu não tentava entrar na área de programação.  E eu pensava: ‘Não sei nem instalar o Windows, imagina programar’. Mas, mesmo assim, comecei a pesquisar mais sobre a área e a dar meus primeiros passos usando portugol (um pseudocódigo que nos permite programar usando o português) na época.”

 

A 42 São Paulo 

“Apesar de eu ter começado a me interessar mais pela programação, eu sentia que tinha que fazer um curso para me desenvolver mais rápido. No entanto, cursos de programação são muito caros, ainda mais para quem está desempregado. Foi neste momento que descobri, em meados de 2019, que estava vindo para o Brasil uma escola francesa gratuita de programação chamada École 42, a 42 São Paulo. Resolvi me inscrever, já que não tinha dinheiro para pagar um curso de programação. Era a chance perfeita para mim.

Quando a segunda etapa do processo iniciou fiquei sabendo que eles tinham recebido cerca de 12 mil inscrições. Cheguei na última etapa do processo, que era de imersão completa durante 28 dias. Estudei muito durante esse período, foi bem puxado. Mas tudo valeu a pena porque hoje tenho o orgulho de dizer que dos milhares de inscritos, faço parte das 128 pessoas que passaram no processo e são alunos da 42 SP!

“Para mim, ‘pensamento computacional’ é a capacidade de entender o problema, criar uma solução para tal e executá-la. A única diferença é que quando vamos usar a programação para solucionar um problema do mundo real, nós temos que ter um nível de abstração maior, dado que a realidade é muito complexa e envolve muitas variáveis”.

O que eu mais gosto disso tudo é a forma como a 42 acolhe todos que estudam lá. Apesar de ser uma escola de programação, a instituição tem um olhar muito ‘humano’ para cada aluno, entendendo que cada um é um ser único com as suas qualidades e dificuldades. Eu gosto disso porque aprender a programar muitas vezes ‘dói’ e é ‘frustrante’. Mas hoje eu vejo isso como algo normal dado que é muito conhecimento novo e, para aprender qualquer coisa nova, muitas vezes temos que sair da nossa zona de conforto. Com esse olhar ‘humano’ da instituição, as coisas ficam mais leves, aprendemos a lidar melhor com os nossos sentimentos e acabamos tendo mais empatia uns pelos outros.”

 

Tecnologia x sociedade mais justa

“Vivemos em um mundo onde cada vez mais a tecnologia está se enraizando nas bases da sociedade. Ela está em todo lugar, seja na saúde, na economia ou nas relações sociais. Chegamos em um ponto da nossa história em que as pessoas que trabalham com tecnologias são vistas até como uma espécie de ‘super-herói’ do século XXI. Consequentemente, essas pessoas acabam ganhando destaque e voz perante a toda sociedade. A meu ver, com o intuito de diminuir as discrepâncias sociais que observamos em todos os âmbitos, precisamos ‘dar voz a quem ainda não tem tanta voz’, e uma boa forma de fazermos isso é permitindo que tais grupos tenham acesso a área da tecnologia.”

Futuro

“À medida que eu aprendo mais sobre a programação, mais me apaixono mais pela área. Eu gosto muito da ideia de entender um problema, imaginar uma solução com um grupo e conseguir ‘materializar’ o pensamento de todos em forma de um software, por exemplo, e assim poder apresentar uma solução para as outras pessoas. Então, o que eu planejo para o meu futuro é responder a seguinte pergunta: ‘Até onde um pensamento ‘materializado’ que eu ajudei a criar pode chegar? Será que posso impactar positivamente uma rua? Um bairro? Um município?’ Eu não sei, mas planejo impactar positivamente o maior número de vidas que for possível para mim.”

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