Quando as linguagens de programação devem ser explicadas para alunos?

04/12/2017 19:12

Explorar, questionar, refletir sobre o que é realidade ou faz de conta. Todo educador que se preocupa em conhecer novas práticas pedagógicas, entende a importância de trazer jogos e brincadeiras para a sala de aula. Agora, o que poucos sabem é que essas ferramentas também podem ser utilizadas no ensino de conceitos básicos da linguagem de programação para crianças da Educação Infantil.

A partir dos quatro anos de idade, os pequenos começam a se desenvolver psicológica e socialmente – processo que pode e deve ser enriquecido por atividades que estimulem descobertas e incentivem a criatividade individual, a construção da autonomia em pensamentos e ações. Tudo isso – quando aplicado em disciplinas escolares do dia a dia – podem proporcionar experiências inesquecíveis para os alunos.

Usar uma “amarelinha”, desenhada no chão com giz, e pedir que eles escrevam comandos para que possam jogá-lo é uma forma de utilizar a programação com custo zero, de maneira fácil e motivadora. Além dessa, existem ainda outras possibilidades para introduzir o assunto aos estudantes, como apresentamos em nosso ebook “Atividades Desplugadas”. Geralmente, em pouco tempo, os alunos captam a lógica e a produtividade aumenta. O desafio então é, a partir do momento em que todos começam a ter mais familiaridade com o tema, criando novas formas de evoluir.

Boa parte dos professores que opta por aplicar programação em sua matéria, o faz por saber que isso pode estimular o pensamento, desenvolvimento e aflorar as habilidades. Por isso, muitos começam usando materiais e plataformas on-line para entender o fundamental e se saem muito bem durante o processo. Tão bem que depois que as crianças e adolescentes já o dominam, fica difícil saber qual será o próximo passo.

A intenção de inserir a lógica de programação na escola não é que os alunos saiam formados ou experts em programação, mas que tenham conhecimento básico. Sabendo disso, o educador não precisa abandonar o projeto  e parar com as atividades. É o momento de inserir novos exercícios e até de engajar outros professores, criando algo maior.

Quando isso acontece é um bom momento para que os estudantes passem a conhecer a linguagem Python ou Javascript. As duas são básicas e fáceis. A vantagem da segunda é que é aplicável na maioria dos computadores e funciona em programas simples, como o notepad. Além disso, o docente que já conheça plataformas como o Scratch e tenha usado as trilhas disponíveis do Programaê! consegue aprender o código utilizando ferramentas digitais e gratuitas, como a Code Academy, e repassar às suas turmas.

O primeiro passo é explicar como o que eles já sabem podem ser aplicados em Python ou Javascript. Com a ajuda de um browser, como o Chrome, habilitado com as funções de desenvolvedor, o aluno, mesmo que iniciante, consegue digitar os comandos que aprendeu e ver como ficariam na tela do computador. Daí em diante, podem ser desenvolvidos em sala de aula sites, blogs e até mesmo aplicativos que ajudem no desenvolvimento e aprendizagem da matéria em que o conceito está sendo utilizado.

“Este é um tipo de aprendizagem que o aluno levará para a vida e até poderá utilizá-la para encontrar soluções em problemas de outras disciplinas. Com tempo e mais familiarizado, os estudantes incorporam a linguagem de programação em sua rotina escolar”, explica o consultor do Programaê!, Isidro Massetto.

“Outra dica para quem já chegou nessa fase é estimular a garotada para participar da Olimpíada Brasileira de Informática. No site da prova existem vários materiais disponíveis e também cursos online que podem complementar o ensino em sala de aula. É uma maneira saudável de estimular a competição”, conclui.

Se o educador ainda não se sente pronto para ensinar estas linguagens, ainda assim é possível elaborar projetos de games, no qual os alunos criam suas próprias regras e as programam com elementos básicos; animação, o próprio Scratch permite a criação de vídeos animados; e também de robótica, contando com o apoio de ONGs e instituições que oferecem materiais e workshops de um dia para escolas que queiram aprofundar-se no tema.